21 outubro, 2015

Entregas não realizadas custam milhões [Guia do TRC]

Transporte é  atividade essencial  para todos os segmentos econômicos e fazer isso de forma rápida é um desafio permanente.  A maneira de medir a eficiência das entregas é estabelecer o prazo para cada evento e acompanhar o seu cumprimento.
A contratação de fretes inclui um indicador de performance conhecido como SLA (Service Level Agreement)  ou acordo  do nível de serviço celebrado entre embarcador e transportador. Além do prazo de entrega se inclui no SLA a  qualidade dos serviços indicada pelo percentual de entregas realizadas com sucesso ou das ocorrências indicativas do  insucesso dessa operação.
Essa taxa de insucesso ou de impontualidade nas entregas é conhecido como "ocorrência".  Muitos  conhecem ocorrência como tudo aquilo que interfere na entrega.  Em tempos de avanços tecnológicos o preenchimento do comprovante DACT-e (documento auxiliar do conhecimento e transporte eletrônica) tem sido gradualmente substituído por mensagens de celular, o que antecipa a informação mas não dispensa o cumprimento de seu preenchimento.
Entregas realizadas com sucesso são  facilmente analisadas. As ocorrência, entretanto,  apresentam complexidade em função da multiplicidade de razões para a" não entrega".
Quanto aos valores envolvidos as entregas bem sucedidas (90%) representam aproximadamente  70% dos custos. As ocorrências  (10%)  de problemas, significam os 30% desses custos. Os  percentuais e valores não são exatos. Entretanto, estão muito próximos daquilo que se observa na  realidade.
Colocando o valor hipotético de uma despesa mensal de R$ 1.000,00 para fretes  teríamos que pagar  R$ 700,00  por  90% de sucesso e R$ 300,00  pelos 10%  de insucesso.
As entregas não realizadas merecem ser identificadas conforme os seus responsáveis. Uma parte do insucesso se deve ao próprio embarcador, parte ao transportador e outra ao destinatário. Deve-se avaliar também as avarias e os sinistros.
No ano 2014, segundo a SINFE, foram emitidos 1.244 bilhões de CT-e's, ou 12 milhões mensais  através de 76.449 emissores (empresas transportadoras autorizadas a emitir CT-e's e inclui filiais de uma mesma empresa). Estima-se que essas quantidades em  2015 seriam pelo menos 50% maiores que as do ano passado, devido a  obrigatoriedade  das NF-e's e CT-e's que não eram obrigatórias naquele ano.
Fazendo apenas uma estimativa:   uma taxa de insucesso de 10%   estamos tratando 140 milhões de ocorrências por entregas mal-sucedidas.
Nos sites das SEFAZ  (CT-e's e NF-e's)  os dados são escassos ou inexistentes.   A SINFE (www.sinfe.com.br/brasil)  publica informações  obtidas da Secretaria da Receita Federal e cruzadas com diversas fontes.
A expectativa  e de que nos próximos  meses (quem  sabe no próximo ano) esses  indicadores de quantidades de NF-e's e CT-e's emitidos  sejam disponibilizados e tornados públicos. 
A busca por redução de custos nunca foi tão intensa quanto agora. Eliminar custos e ainda melhorar a qualidade perece ser o sonho de empresários e executivos que lidam com transportes.
Não existem soluções mágicas mas, através de aplicativos de BI Business Inteligence seria possível tabular as principais razões das "não entregas". Especialistas dizem que uma redução dessas ocorrências resultaria incremento de produtividade e ampliaria a lucratividade dos transportes.
Alguns números apresentados pela CNT indicam que os transportes representam 6.5% do PIB brasileiro (R$ 234.5 bilhões)  considerado de R$ 3.5 trilhões; Transporte rodoviário de cargas participa com 67 % de todas as movimentações de cargas no Brasil, ou R$ 15.7 bilhões. Se existem R$ 500 milhões/ano  de problemas de ocorrências de entregas...  as possibilidades de reduzir custos podem ser imensas. [Paulo Westmann]

Fonte: Guia do TRC; disponível em http://www.guiadotrc.com.br/noticias/noticiaid.asp?id=30670; acesso em 21/10/2015.

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